quinta-feira, 25 de junho de 2015
102º Tour de France - O Percurso
Está aí à porta a 102ª edição da carismática Volta a França em bicicleta.
Foi esta fascinante prova que me fez apaixonar pela modalidade. Uma prova que reúne à frente da TV pais e filhos, para a assistir a um grande espectáculo desportivo e comigo, felizmente, não foi diferente.
Aproveitarei então este novo blog para fazer uma análise detalhada da competição, espero que gostem e se gostarem partilhem.
As etapas:
Etapa 1 - Contra-Relógio Individual - Utrecht - Utrecht (13.8 km.)
A 4 de Julho, em Utrecht, na Holanda, 198 ciclistas descerão a rampa para dar início à primeira etapa do Tour!
A Holanda é um país extremamente conhecido pela cultura dos seus cidadãos em preservar o ambiente e optar pela bicicleta ao invés do automóvel. Não existe melhor forma de recompensar esse povo se não com o início da prova mais carismática do mundo de ciclismo. Esta será a 6ª vez que o país acolherá a prova.
A etapa terá início no centro da cidade e terminará ao lado do novo parque de estacionamento para bicicletas. Esse parque tem capacidade para, exactamente, 12500 bicicletas!
Como diz Christian Prudhomme, ninguém consegue prever a importância de alguns segundos ganhos ou perdidos em 14 km. de CRI.
Porém, há uma certeza, será um início emocionante, com os principais especialistas a lutarem por conseguir vestir a amarela. Os candidatos à geral tentarão ganhar tempo aos adversários. Os restantes usarão a adrenalina, de iniciar um Tour, que pode superar a habilidade e nervosismo de outros.
O impacto esperado na prova é diminuto e entre os candidatos a vestir a amarela no 2º dia destaco
alguns: Adriano Malori (Movistar), Michal Kwiatkowski e Tony Martin (Etixx - Quick Step), Tom Dumoulin (Team Giant - Alpecin), Rohan Dennis (BMC), Fabian Cancellara (Trek Factory Racing), Chris Froome e Geraint Thomas (Team Sky), Luke Durbridge (Orica GreenEDGE) e, aproveito para demonstrar algum nacionalismo e esperança, Nelson Oliveira (Team Lampre - Merida).
Etapa 2 - Utrecht - Zeeland (166 km.)
A segunda etapa volta a iniciar-se em Utrecht e traz consigo algumas alterações ao regulamento. As bonificações voltam a figurar no Tour, porém só da 2ª à 8ª etapa, os três primeiros classificados de cada etapa serão recompensados com 10'', 6'' e 4'' respectivamente.
A competição pela camisola verde, de pontos, também apresenta alterações, com a vitória a dar 50 pontos em vez de 45, a segunda posição 30 em vez de 35 e a terceira 20 em vez de 30.
Esta será a última etapa em solo holandês e terá um final de etapa épico, no meio do mar!
Apesar do percurso nos parecer indicar um perfil tranquilo e sem grande influência na classificação geral, a realidade, e o mar, mostram-nos outra coisa, VENTO!
Esta será uma etapa bem nervosa, com as equipas dos favoritos a quererem estar lá na frente para evitar que os seus candidatos sejam apanhados por cortes no pelotão e com as equipas dos sprinters a quererem levar para casa a primeira vitória de etapa de estrada, muita coisa pode acontecer, tanto na luta pela verde quanto pela amarela!
Entre os favoritos à vitória: Peter Sagan (Tinkoff - Saxo), Mark Cavendish (Etixx - Quick Step), André Greipel (Lotto Soudal), Arnaud Démare (FDJ), Alexander Kristoff (Team Katusha), Michael Matthews (Orica GreenEDGE), Nacer Bouhanni (Cofidis, Solutions Crédits), Bryan Coquard (Team Europcar), Edvald Boasson Hagen (MTN - Qhubeka) e Sam Bennet (Bora - Argon 18).
Etapa 3 - Antwerp - Huy (159.5 km.)
Olá Bélgica!
A primeira etapa com montanha não poderia ter desfecho mais espectacular que o culminar, pela primeira vez na história do Tour, no famoso Mur de Huy!
A 3ª etapa deixará todos os fãs da Clássica, La Flèche Wallonne, colados à TV. Isto porque o Mur de Huy é realizado não só três vezes na prova bem como simboliza o final da prova desde 1984. São 1.3 kms. a uma média de 9.6% de inclinação, com um máximo de 19% de inclinação.
Este será o desfecho perfeito uma grande embate entre três tipos de corredores. Os especialistas em clássicas, os que procuram uma vitória de etapa e os candidatos à geral que irão tentar obter alguns preciosos segundos de vantagem sobre os oponentes.
Para além de Valverde (Movistar), vencedor de 3 edições da La Flèche Wallonne, entre elas a última, estará também em prova Joaquim Rodríguez (Team Katusha), vencedor em 2012.
A geral poderá já ganhar alguns contornos a partir daqui e, para além dos candidatos à geral e dos ex-vencedores da Clássica, há que manter debaixo de olho Michal Kwiatkowski e Julian Alaphilippe (Etixx - Quick Step), Tony Gallopin (Lotto Soudal), Rui Costa (Team Lampre - Merida), Mathias Frank (IAM Cycling), Pierre Rolland (Team Europcar), Daniel Martin e Ryder Hesjedal (Team Cannondale - Garmin).
Etapa 4 - Seraing - Cambrai (223.5 km.)
Pavé, Cobbles ou simplesmente paralelos!
Eles estão de volta ao Tour, depois dos estragos que causaram em 2014, nomeadamente nos mais de 2' ganhos na geral por Nibali sobre Contador. Serão 7 sectores com um total de 13.3 km. de alta trepidação, nervosismo e ansiedade. Esta será também a etapa mais longa desta edição.
Esta será uma etapa que trará boas recordações ao eslovaco Peter Sagan, pois a última vez que Seraing fez parte do roteiro do Tour, foi enquanto chegada e trouxe o primeiro sucesso de Sagan no Tour com a vitória da etapa.
Uma recriação da Clássica Paris - Roubaix (PR), é assim que esta etapa poderá ser vista, que chega mesmo a passar por alguns trechos da prova.
Para esta etapa, para além de observarmos com atenção o trabalho dos candidatos à geral, que farão de tudo para evitar grandes perdas, veremos em acção o vencedor do PR deste ano e segundo em 2014, John Degenkolb (Team Giant - Alpecin), que procurará a sua primeira vitória de etapa no Tour. Fabian Cancellara, três vezes vencedor do PR, será também foco de atenção. Zdenek Stybar (Etixx - Quick Step), Greg Van Avermaet (BMC), Sep Vanmarcke (Team LottoNL - Jumbo), Lars Boom (Astana) e Peter Sagan serão também eles possíveis vencedores desta etapa.
Etapa 5 - Arras - Amiens (189.5 km.)
Arras hospedou a partida da etapa 6 do Tour 2014, vencida por Greipel, e volta a figurar este ano, só que na etapa 5.
A etapa passará por diversos pontos de batalhas marcantes da I Guerra Mundial e à sua semelhança deveremos esperar uma verdadeira batalha entre os puros sprinters na chegada a Amiens, cidade onde o memorável escritor Julio Verne viveu a maior parte da sua vida.
Será expectável que uma fuga parta nos momentos iniciais e ganhe vantagem até que as equipas dos sprinters os permitam. Depois começará a perseguição e espera-se que Cavendish, Bouhanni e Greipel sejam os principais favoritos entre os sprinters à vitória da etapa.
Etapa 6 - Abbeville - Le Havre (191.5 km.)
O Tour chega à Normandia e Abbeville volta a receber o Tour, depois de em 2012 ter sido o ponto de partida para mais uma vitória de Greipel.
Serão mais de 100 km. percorridos ao longo da costa, com belíssimas paisagens, igualáveis às pinturas de Monet, que viveu boa parte da sua infância em Le Havre, o local de destino da etapa.
Porém a beleza da costa pode trazer um presente envenenado para o pelotão, vento!
Cortes poderão ocorrer com a tensão da corrida e todos quererão estar lá na frente na altura certa.
A etapa espera-se de chegada ao sprint, porém o vento e os últimos 850 m. com uma inclinação média de 7%, poderão favorecer sprinters mais versáteis ou especialistas em clássicas.
Eu apostaria em Degenkolb, Kristoff ou Sagan para os lugares cimeiros do pódio nesta etapa.
Etapa 7 - Livarot - Fougères (190.5 km.)
Depois da Normandia vem a Bretanha e com ela a primeira vez que Livarot recebe o Tour.
Livarot é conhecida pelos seus quejos fortes e com certeza foi escolhida por um dos membros da organização do Tour, François Lemarchande, ex-ciclista e companheiro de equipa de Greg Lemond, sendo ele natural de Livarot.
A etapa só conta com uma contagem de montanha de 4ª categoria aos 12.5 km. de corrida e pelo seu perfil a chegada é esperada ao sprint, porém o perfil acidentado poderá ser uma boa chance para a fuga do dia vingar.
Fougères, com o seu belíssimo castelo fortificado, é o destino após ter servido de partida para a vitória da 12ª etapa por Kittel em 2013.
Os favoritos serão os sprinters, mas aqueles que se sintam em boas condições e que consigam entrar na fuga também poderão ser uma ameaça nesta etapa.
Etapa 8 - Rennes - Mûr-de-Bretagne (181.5 km.)
Mantendo-se na Bretanha, desta vez o cenário apresenta-nos algumas curtas, mas bem inclinadas, montanhas características da região.
A etapa parte da capital da região, Rennes com destino a Mûr-de-Bretagne, outro verdadeiro muro, onde em 2011 Cadel Evans venceu a 4ª etapa após bater ao sprint Alberto Contador no final, na sua jornada para vencer a amarela do Tour.
A chegada será intensa e os candidatos terão de manter a concentração para não perderem segundos preciosos para os seus rivais.
Haverá também a possibilidade das equipas líderes da prova deixarem uma fuga vingar e levar as últimas bonificações da competição, para não tornar as perdas no final ainda mais significantes.
Poderá ser outro bom dia para Valverde, antes de começar o seu verdadeiro trabalho de apoio a Quintana, mas também para a estrela nacional, Rui Costa, entre "muitos" outros.
Etapa 9 - Contra-Relógio por Equipas - Vannes - Plumelec (28 km.)
Último dia na Bretanha e com o 1º dia de descanso à vista nada melhor para animar as coisas que com o CRE.
O CRE é sempre uma prova emocionante do Tour, que tem trazido alguns momentos brilhantes e outros hilariantes ao longo dos tempos. O desafio porém aparece um pouco tarde na prova, algumas equipas já estarão desfalcadas por esta altura, o momento não foi o melhor.
Esta etapa por si só já se espera que traga algumas mexidas na geral, pois nem todas as equipas são especialistas na modalidade, azares acontecem, o vento nem sempre é constante, são muitas variáveis e é o 5º elemento da equipa a atravessar a meta que dita o tempo.
A terminar em Plumelec, onde Valverde já foi feliz ao ganhar a 1ª etapa do Tour de 2008, as equipas encontrarão uma subida de 1.7 km. com uma inclinação média de 6.2%.
Esta não será uma subida nada fácil de se completar a um bom ritmo, pois 26 km. de prova altamente tácticos já foram percorridos, o desgaste físico e mental da primeira semana de prova e a somar uma bicicleta que não foi desenvolvida com essas características.
Será curioso ver quais as tácticas escolhidas por cada equipa, com quantos elementos terminará cada uma, se optarão por uma cadência mais homogénea ao longo do percurso ou resguardar-se para o final.
Não considero que haja propriamente um favorito destacado à vitória, os campeões mundiais em título, a BMC poderão levar a melhor e trazer alguma vantagem a Van Garderen no último dia antes do descanso e são favoritos. A Orica GreenEDGE é australiana mas mais parece suíça, pois o seu trabalho é certo como o de um relógio suíço, quer nas provas de estrada a trabalhar para os seus homens mais rápidos no final quer nestes desafios, e depois de terem vencido o CRE do Giro, serão com certeza favoritos e a minha aposta para esta etapa. A Team Sky traz também grandes talentos na arte do CR e poderá chegar ao topo do pódio na etapa.
Etapa 10 - Tarbes - La Pierre-Saint-Martin (167 km.)
700 km. viajados e um dia de descanso, em Pau, depois...
Espera-se que os candidatos tenham aproveitado realmente o descanso para repor as energias e alinhavar as estratégias porque não há margem para erros no Tour.
A 2ª semana parte do sul de França, nomeadamente de Tarbes. Tarbes foi palco recentemente de chegada da 9ª etapa do Tour em 2009, vencida por Fédrigo.
La Pierre-Saint-Martin é outro local de passagem inédita no Tour, e não poderia ser em melhor data, que no dia da celebração da Tomada da Bastilha.
Esta será a primeira verdadeira montanha da edição, 15.3 km. a uma média de 7.4% de inclinação, contada como de categoria especial. É aqui que a fuga do dia deverá culminar e será também aqui que a acção do dia começará entre os candidatos.
A data especial para os atletas franceses e a última vez que um francês venceu a etapa comemorativa foi em 2005, David Moncoutié.
Qualquer um dos candidatos à geral é favorito, mas após observar os excelentes desempenhos nas etapas rainhas da Suíça e da Normandia e tendo o factor casa a seu favor eu julgo que Thibaut Pinot (FDJ), poderá aproveitar a data, as pernas frescas, do dia de descanso, e o distanciamento que já deverá levar para os restantes candidatos, após dois CRs que não o favorecem, para se tornar o 28º francês a vencer a etapa do dia do feriado nacional francês.
Etapa 11 - Pau - Cauterets (188 km.)
O Tour está de volta a Pau, mas desta vez não é para descansar, mas sim para o primeiro grande dia nas montanhas.
Pau é a 3ª cidade mais visitada pelo Tour desde o seu começo, tendo recebido a prova por 66 vezes, e só é superada por Paris e Bordéus. Pau foi também o ponto de partida em 2014 para o famosíssimo Col du Tourmalet. O Tourmalet apareceu em 2014 na 18ª etapa da competição, Nibali venceu à frente de Pinot e Majka.
Esta será uma dura etapa que contará com seis contagens de montanha, uma de 4ª cat., três de 3ª cat., uma de 1ª cat. e uma de cat. especial, o Tourmalet.
O Tourmalet é precedido de Col d'Aspin, que atinge o seu ponto mais alto aos 117 km. de prova. O Col d'Aspin tem sido utilizado por várias vezes no Tour, a subida parte de Arreau e tem uma inclinação média de 6.5% e máxima de 9.5% estendendo-se ao longo de 12 km..
Esta será a 80ª aparição do Tourmalet no itinerário do Tour, que apareceu pela primeira vez em 1910. Este é um ponto de passagem tão histórico e emocionante que por vezes até a Vuelta o inclui, tal como o Col d'Aspin. A subida irá ser feita a partir do lado mais clássico, e talvez o mais difícil, a partir de Sainte-Marie-de-Campan, serão 17.2 km. de subida a uma inclinação média de 7.4% e máxima de 10%.
Esta poderá ser a última etapa para alguns sprinters, que queiram poupar as suas energias e focar-se em outras competições, e será sem dúvida uma boa oportunidade para aqueles que já perderam algum tempo recuperarem as suas ambições na geral.
O Tour termina em Cauterets, 20 anos depois da sua única passagem por lá. Uma passagem que carrega uma nuvem negra, marcada pela morte do campeão olímpico Fabio Casartelli depois de sofrer uma dura queda numa descida.
Novamente qualquer um dos candidatos à geral será um bom candidato a vencer esta etapa.
Etapa 12 - Lannemezan - Plateau de Beille (195 km.)
O Tour começa em Lannemezan pela 5ª vez e será o início do fim dos Pirinéus para o Tour, em 2015.
Com quatro contagens de montanha e um final de verdadeira categoria especial será um verdadeiro dia de luta não só para os candidatos à geral mas também para aqueles que lutam pela polka-dot, a camisola de pontos de montanha.
A etapa poderá ficar marcada por um pelotão junto até aos cerca de 50 kms. de prova, para prestarem homenagem a Fabio Casartelli, onde se encontra o monumento que presta tributo ao atleta.
Plateau de Beille, 15.8 km. a uma inclinação média de 7.9%, recebeu já 5 etapas, a última vez em 2011, com o final da 14ª etapa. O vencedor Jelle Vanendert, depois de ter ficado perto na 12ª etapa atrás de Sánchez. Voeckler já chegou duas vezes a Plateau de Beille de amarelo, será difícil mas será que conseguirá uma terceira?
Será uma boa etapa para o mais puro trepador dos candidatos à geral, Nairo Quintana, mostrar de onde vem e para o que vem.
Etapa 13 - Muret - Rodez (198.5 km.)
Depois da "tempestade" vem a "bonança", ou assim se costuma pensar.
O Tour chega ao Maciço Central e à paisagem vulcânica. Muret, apesar de veterana na Route du Sud, é mais uma estreia no Tour. Muret é famosa pela sua gastronomia e com certeza outro ponto de boa memória para Voeckler, que de lá partiu em 2006 para a última etapa da Route do Sud onde conseguiu a sua primeira vitória na geral da competição.
Com Rodez como destino a etapa terá um bom perfil para dois desfechos, ou para os sprinters mais versáteis, Kristoff, Sagan, Degenkolb... Ou será o dia perfeito para as principais equipas tirarem um pouco o pé do acelerador e deixarem uma fuga vingar. O 9º classificado do Giro d'Italia, Alexandre Geniez (FDJ) poderá estar entre os fugitivos e se estiver será sem dúvida um grande candidato, ainda mais sendo Rodez a sua cidade natal!
Etapa 14 - Rodez - Mende (178.5 km.)
Agora a partir de Rodez o pelotão segue em direcção a Este, para Mende.
Depois do Mur de Huy e do Mûr-de-Bretagne chega o terceiro desafio para aqueles que gostam de finais "curtos" mas bem intensos. Com a etapa a terminar no Côte de la Croix Neuve, ou como é conhecido localmente o Monte Laurent Jalabert, os atletas enfrentarão nos últimos 3 km. uma inclinação média de 10.1%.
Mende, o palco do final da etapa, é uma cidade bem conhecida pela sua cultura desportiva, e foi de lá que veio Laurent Jalabert o primeiro vencedor deste final de etapa no Tour. O último foi Joaquim Rodriguez em 2010.
Esta etapa de "Média Montanha", poderá ser aproveitada pelas maiores equipas para tentarem recuperar o máximo que puderem para os Alpes que estão por vir. Uma fuga será uma boa opção para ter sucesso nesta etapa.
Etapa 15 - Mende - Valence (183 km.)
O pelotão deixa Mende e o Maciço Central para trás em direcção aos Alpes.
O Col de l'Escrinet é uma montanha de 14 km. a uma média de 4%, que atinge o seu pico aos 126 km. de prova. Este será o ponto em que alguns sprinters já terão ficado para trás e que outros lutarão por apanhar a fuga do dia nos poucos menos de 60 km. que faltam para o final.
A única vez que esta montanha figurou no Tour foi em 2009 e Cavendish juntamente com a sua equipa, a Columbia, conseguiram superar a fuga do dia e vencer a 19ª etapa do Tour.
Valence também só por uma vez participou no Tour, em 1996, porém costuma ser uma cidade bastante usada no Critérium du Dauphiné.
Com o final do Tour a começar a aparecer esta poderá ser das últimas chances para algumas equipas tentarem vencer, deverá ser então uma batalha interessante entre as equipas dos sprinters e a fuga e os fugitivos do dia.
Etapa 16 - Bourg-de-Péage - Gap (201 km.)
Último dia antes do descanso, que alguns ansiarão muito para que chegue, mas para dificultar as coisas esta será a 2ª etapa mais longa do Tour e este será o início do fim, de 4 etapas montanhosas antes do final em Paris.
Esta etapa poderá marcar também a última chance de uma fuga vingar no Tour.
"Comecemos pelo início", que o final é de boas memórias para os portugueses! A primeira visita do Tour a Bourg-de-Péage foi em 2010, com partida em direcção a Mende para a tal vitória de Joaquim Rodriguez.
O final é em Gap, um final muito querido por todos, pois é onde será passado o dia de descanso, e mais querido ainda pelos portugueses. Gap é a cidade do automobilista Sébastien Ogier e a porta perfeita para os Alpes. Foi lá que Sérgio Paulinho ganhou a 10ª etapa ao sprint a Kyrienka e Rui Costa a 16ª em 2013, após um excelente final deixando os seus colegas de fuga para trás, proclamando assim a sua segunda vitória de etapa num Tour.
Esta será então uma boa etapa para algum dos candidatos ao top-10 tentar surpreender e recuperar alguns segundos antes da alta montanha. Rui Costa poderá ser um grande favorito à vitória desta etapa.
Etapa 17 - Digne-les-Bains - Pra Loup (161 km.)
Terminou o 2º dia de descanso e chegaram os Alpes!
Digne-les-Bains já marcou presença no Tour por 12 vezes, já viu Merckx vencer na primeira aparição do Canibal no Tour em 1969, e a última vez que marcou presença foi em 2008 com a vitória de etapa de Oscar Freire, ao sprint.
A chegada ocorre apenas pela 3º vez em Pra Loup, mas esta é uma estância de esqui que já viu muita emoção no Tour, quando em 1975 terminou com o reinado de 5 vitórias de Merckx no Tour, ao vê-lo perder 2' para Bernard Thévenet bem como a amarela, para aquele que viria a vencer o Tour nesse ano.
Este ano esta etapa já foi feita por alguns, no Critérium du Dauphiné. Romain Bardet (AG2R La Mondiale) foi quem levou a melhor após atacar perto do final da penúltima subida e realizando uma descida extremamente técnica ao mais alto nível.
Conseguirá repetir a proeza?
Etapa 18 - Gap - Saint-Jean-de-Maurienne (186.5 km.)
De volta a Gap, desta vez ponto de partida para sete contagens de montanha, três de 3ª cat., três de 2ª cat. e uma de Cat. Especial!
A etapa começa de forma bem difícil, com 6.3 km. a uma inclinação média de 7%, para o Col Bayard. Prosseguindo para uma série de desafios de menor dificuldade até ao Col du Glandon.
A etapa terminará em Saint-Jean-de-Maurienne, na sua 4ª aparição no Tour. A única vez que foi ponto de chegada foi em 2010 e trouxe a vitória a um fugitivo, Sandy Casar, que seguia com Luis Leon Sanchez e Cunego.
Este não será o dia mais duro do Tour mas será um dia difícil de controlar a fuga por parte de uma só equipa.
Etapa 19 - Saint-Jean-de-Maurienne (138 km.)
Etapa curta, mas com certeza bem emocionante, no coração dos Alpes franceses.
A etapa parte do final dia anterior em direcção a La Toussuire, onde Pierre Rolland já venceu e uma das maiores viradas do Tour aconteceu. Em 2006 quando o líder da corrida, Floyd Landis, cedeu, Oscar Pereiro ganhou sobre ele uma vantagem superior a 8'. Porém esse dia acabaria por colocar Landis com as garras de fora e recuperar quase toda a desvantagem no dia seguinte, até realizar a reviravolta no CR final do Tour. Porém a reviravolta completa estaria para vir e Landis veria a sua história manchada com a perda do título após suspeitas de doping.
Esta será uma etapa bastante interessante, caso a amarela ainda não esteja decidida, pois a sua distância permitirá acção do princípio ao fim entre os favoritos.
Etapa 20 - Modane Valfréjus - Alpe d'Huez (110.5 km.)
Último dia nos Alpes, penúltimo da prova, com uma única esperança, que a amarela continue por ser entregue!
O Alpe d'Huez é uma das mais conhecidas subidas do Tour, onde muita história já foi escrita desde 1952 quando apareceu pela primeira vez e foi vencida por Fausto Coppi. Este é também um fnal histórico para o ciclismo nacional com a vitória de Joaquim Agostinho em 1979. O último a lá vencer foi Christophe Riblon em 2013.
Uma curiosidade é que cada uma das 21 curvas até ao topo do Alpe d'Huez tem o nome de cada um dos ciclistas que lá foi vencendo. A curva 14 é a curva Joaquim Agostinho, onde se encontra uma lápide em homenagem ao grande atleta.
Porém a acção começa antes, com a etapa a partir de Modane Valfréjus, cidade que recebe o Tour pela 2ª vez, e de novo como ponto de partida em direcção ao Alpe d'Huez. A última vez foi em 2011 e teve como vencedor Pierre Rolland.
A etapa contará com duas contagens de Cat. Especial, o Col de la Croix de Fer que apareceu pela última vez em 2012 na etapa vencida por Rolland, é uma subida de 29 km. com uma inclinação média de 5.2% e o Alpe d'Huez de 13.8 km. a 8.1%.
Esteja ou não decidida a vitória da geral esta etapa promete muita acção e mexidas no top-10 final!
Etapa 21 - Sèvres - Paris (109.5 km.)
Paris, Paris... É aqui que chega ao fim mais uma edição do Le Tour, nos Campos Elísios, local escolhido desde 1975 para o final da prova.
A camisola de pontos poderá, eventualmente, ser a única competição por decidir o vencedor, quando todas as outras já deverão estar entregues.
Sèvres, nas margens do Sena, é famosa pelo seu Museu da Porcelana e pelo entusiasmo em volta do ciclismo. Sèvres fica perto de Ville-'Avray, onde o 1º Tour de France culminou.
Esta é uma etapa histórica e talvez a melhor história seja a de 1989, quando Greg LeMond iniciou a etapa a 50'' de Laurent Fignon, um Contra-Relógio Individual, e terminou 58'' à frente, vencendo o Tour pela mais mais curta de sempre, 8''!
A etapa deverá começar em ritmo de descontracção até aos 40 km. de corrida onde começarão as 8 "voltas" nos Campos Elísios, passando pelo Arco do Triunfo e com uns paralelos para animar as coisas.
O final é esperado ao sprint, se não houver surpresas como aconteceu na etapa final do Giro deste ano, e o vencedor é quase que considerado um campeão mundial de sprint, não oficial. Cavendish já venceu esta etapa por quatro vezes e na minha opinião, se azares não acontecerem, ele vencerá este ano a quinta.
P.S. Continuarei a analisar o Tour, com a análise das equipas e dos atletas.
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