À terceira foi de vez para o esloveno da Team Katusha, Simon Spilak. Spilak já havia terminado por duas vezes no pódio em provas do WorldTour esta época, 3º no Paris - Nice e 2º na Romandie. Com esta vitória do Tour de Suisse mostrou-se um dos melhores candidatos a vitórias de provas de 1 semana.
A prova começou de feição para o único contra-relogista que se apresentava como candidato à geral, Tom Dumoulin, ao vencer o prólogo 2'' à frente do atleta da casa, Fabian Cancellara. Dumoulin envergaou assim a amarela e ganhou algum tempo precioso para os outros candidatos, teoricamente mais fortes para a 5ª etapa, a etapa rainha, onde Dumoulin procuraria minimizar as suas perdas.
A segunda etapa teve como vencedor Durasek, vencedor do Tour da Turquia. Após alguns ataques de um grupo reduzido onde figuravam os principais candidatos à geral, o croata decidiu evitar um desfecho ao sprint, que não o favorecia, e atacou para chegar 4'' à frente do grupo e levar assim a sua primeira vitória em provas do WorldTour.
A 3ª, 4ª, 6ª e 7ª etapa tiveram o desfechos ao sprint, com
Sagan a vencer por duas vezes (3ª e 6ª), Matthews uma (4ª) e Kristoff outra (7ª). Porém nem tudo viria a ser rosas para os candidatos nas etapas consideradas teoricamente mais tranquilas.
Na etapa rainha, a 5ª da competição, cabia a Dumoulin lutar para minimizar as perdas, para que as pudesse recuperar no CRI final, e aos restantes conseguir o melhor resultado possível para garantir o lugar no pódio final. Thibaut Pinot provou estar em excelente forma ao vencer a etapa, 34'' à frente de Domenico Pozzovivo, que se mostrou recuperado da queda que o afastou do Giro e com boas energias na sua preparação para a Vuelta. Pinot assumiria assim a partir da 5ª etapa a amarela, com 1'32'' para Dumoulin, 7º classificado agora. A ameaçar a amarela apareciam Geraint Thomas, Simon Spilak e Fuglsang, todos atletas mais hábeis que Pinot na arte do CR.
Mas como escrevi anteriormente nem tudo seriam rosas nas etapas, teoricamente simples, que adviriam. Na 6ª etapa, alguns cortes no final fariam Thomas e Fuglsang terminarem 5'' à frente de Dumoulin, Spilak e Pinot.
E como se não bastasse um dia menos bem conseguido, a 7ª etapa traria de novo cortes à chegada, e desta vez os principais beneficiados seriam Thomas e Dumoulin ao chegarem 5'' à frente dos restantes candidatos.
A 8ª etapa, era uma etapa bastante acidentada, favorecia assim uma eventual fuga ou um possível ataque no final. Com Fuglsang atingido por um vírus estomacal e obrigado a abandonar a prova, coube a Lutsenko, campeão mundial de estrada sub-23 em 2012 e 2º na 8ª etapa da Vuelta em 2014, trazer alguma alegria à Astana. Apesar da Astana ter o jovem colombiano, Miguel Ángel López, bem posicionado na geral (5º), as suas qualidades em CRI não se assemelham nem de perto às de Fuglsang, e as aspirações da Astana à geral estavam assim quase totalmente perdidas. Lutsenko, acabaria por vingar o acontecimento, ao atacar a fuga, juntamente com Bakelants, a poucos kms. do final levando a melhor na chegada a Berna, chegando 1'' à frente de Bakelants. Pinot voltaria a perder tempo para os demais, desta vez 3'' para os restantes candidatos.
A 9ª e última etapa prometia trazer à tona toda a emoção da prova. Pinot de amarelo apenas 34'' à frente de Thomas (2º), 47'' de Spilak (3º) e 1'24'' de Dumoulin (6º). Pozzovivo e Ángel López apresentavam-se em 4º e 5º da geral mas não representavam grande perigo para os restantes.
38.4 km. de CRI, com partida e chegada em Berna. Dumoulin voltaria a provar o seu favoritismo e venceu a etapa com uma média de 47.407 km/h., 18'' à frente de Spilak e 19'' de Cancellara. Thomas chegaria em 5º a 36'' e Pinot não conseguiu melhor que a 14ª posição a 1'50'' de Dumoulin.
Com este resultado, Spilak voltou a demonstrar excelentes capacidades em CRI, depois de já ter terminado em 2º na Romandia apenas atrás de Tony Martin.
Thomas perdeu 18'' para Spilak e não conseguiu atingir o lugar mais alto do pódio. Com o resultado Pinot, acabou relegado para fora do pódio da geral.
A geral fechou então com Spilak em 1º, Thomas em 2º a 5'' e Dumoulin 3º a 19''.
Foto: Tim de Waele
Sagan venceu a camisola de pontos, a sua quinta seguida, e Denifl a de montanha. A classificação por equipas teve como vencedora a Team Sky.
Terminou assim a 2ª grande prova de preparação para o Tour de France e algumas conclusões podem ser retiradas.
Começo com potenciais candidatos a vitórias em etapas de chegada ao sprint e à camisola verde, onde:
- Peter Sagan com duas etapas vencidas e dois 2ºs lugares será um excelente concorrente a vencer a camisola de pontos do Tour, pela 4ª vez consecutiva. Mas desta vez as coisas não serão tão "simples", as atenções da equipa estarão todas voltadas para Contador e para o objectivo da geral, de forma que terá que trabalhar bem mais para cumprir os seus desejos de vencer uma etapa, o que não acontece desde 2013, e voltar a vestir de verde depois da chegada a Paris.
- Kristoff, vencedor de uma etapa, dá seguimento à sua excelente temporada e conta já com 17 vitórias. Será outro grande candidato à camisola de pontos.
- Degenkolb não foi além de um 4º lugar numa etapa da prova e baixou um pouco o rendimento que tinha vindo a apresentar na temporada. Com o seu colega de equipa, Marcel Kittel, em condições dúbias para o início do Tour, Degenkolb, apesar de não ser um puro sprinter, poderá ser a melhor opção da Team Giant - Alpecin para conseguir algumas vitórias de etapas de estrada.
- Matthews, venceu uma etapa, e conta com 4 vitórias na época, para além de 3 excelentes pódios em clássicas. O jovem australiano irá realizar o seu primeiro Tour de France, após ter vencido etapas em todas as grandes voltas em que participou, duas edições do Giro e da Vuelta. Procurará agora em França chegar ao lugar mais alto do pódio.
- Cavendish, na minha opinião, o melhor puro sprinter do ano, conseguiu apenas um top-10, e não conseguiu disputar nenhuma chegada ao sprint em plenas condições. Com 12 vitórias esta época não deverá esmorecer nas suas ambições para o Tour.
- Démare, outra jovem esperança da FDJ, não conseguiu vingar na Suíça e não foi além de um 5º lugar na 7ª etapa. Veremos se o apoio de Réza em França o ajudará a melhorar os resultados e a conseguir a primeira vitória numa grande volta.
Outros atletas que figuraram na Suíça estarão sob olhar atento, uns no trabalho que desenvolverão para os seus líderes, candidatos à geral, outros com ambições à vitória de alguma etapa:
- Fuglsang tem vindo a realizar uma época bastante consistente. O Tour de Suisse do atleta dinamarquês estava a ser o reflexo da sua temporada, com bons resultados e aspirações à geral, contudo um vírus estomacal na 8ª etapa obrigou-o a abandonar e pode ter reflexos no seu apoio a Nibali no Tour.
- Kwiatkowski, actual campeão mundial de estrada em título, passou completamente ao lado na Suíça, terminando em 71º, participou apenas em uma fuga na 8ª etapa que terminou na 17ª posição. O Polaco tem vindo a realizar uma boa temporada ao vences a Clássica, Amstel Gold Race, e ao terminar a Volta ao Algarve e o Paris - Nice na 2ª posição. Será um candidato à disputa por algumas etapas do Tour que não favoreçam os sprinters e que não sejam de extrema dificuldade no final.
- Tom Dumoulin venceu os 3 CRIs que participou na temporada e, com o Tour a começar com um CRI, será a melhor opção para se ver um atleta da Giant de amarelo. Dumoulin disputará com Tony Martin enquanto favoritos a vitória da primeira etapa do Tour.
- Thibaut Pinot voltou a mostrar estar em grande forma. O jovem talento francês venceu a etapa rainha e vestiu a amarela durante 4 dias até a perder após o CRI final. 3º classificado do Tour do ano passado será a par com Bardet uma grande promessa para os adeptos da casa nos lugares cimeiros da prova. As suas debilidades no CR e a sua equipa com menor qualidade que as demais favoritas são factores que o afastam de ser um candidato ao top-3, porém espero vê-lo entre os 10 primeiros em Paris.
Resultados Lusos:
36º - André Cardoso (Team Cannondale - Garmin) a 26'39''
Não terminou - Mário Costa (Team Lampre - Merida) abandonou na etapa 8
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Classificações Completas
Melhores momentos da prova
P.S. 39ª Route du Sud
Uma breve nota sobre o a Route du Sud, onde participaram dois dos principais candidatos à vitória do Tour, Contador e Quintana.
Esta é uma prova de curta duração, com apenas 4 etapas, e apenas uma de montanha. Contador optou por esta prova pela sua localização no tempo entre o Giro e o Tour e pela sua carga física de menor impacto. Já Quintana tem estado a treinar na Colômbia, em altitude e optou apenas por realizar um pequeno teste antes do seu grande objectivo do ano.
A primeira etapa foi vencida por Tronet, que atacou juntamente com alguns atletas a poucos kms. do final e não permitiram que a disputa fosse feita ao sprint.
A 2ª e 4ª etapas foram vencidas por Coquard. A jovem estrela francesa deu assim boas indicações, ele que irá estar ao serviço da Europcar, uma das equipas da casa presente, na luta por etapas ao sprint no Tour.
A etapa rainha foi vencida por Alberto Contador. Disputou a última de 3 contagens de 1ª categoria, lado a lado com Quintana, realizando diversos ataques sempre com o colombiano a responder, porém foi na descida para a meta que o espanhol ganhou vantagem sobre Quintana e lhe deu uma lição de que não é preciso saber apenas como subir mas também como descer. A vantagem final foi de 17'' e foi mantida até ao final da prova para mais uma conquista de Contador.
Ryder Hesjedal também participou na prova porém sem grande relevo.
Em destaque ficou a única equipa portuguesa em prova, a Rádio Popular ONDA Boavista, ao vencer a classificação por equipas à frente da AG2R La Mondiale.
Entre as classificações lusas destaque para os 8º e 9º lugar da geral de Ricardo Vilela (Caja Rural - Seguros RGA) e Frederico Figueiredo (Rádio Popular), respectivamente.
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Classificações Completas
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