Chris Froome voltou a vencer o Critérium du Dauphiné e algumas conclusões já podem começar a ser retiradas para mais um Tour emocionante.
A prova foi marcada por muita acção ao longo das etapas e começou como terminou, com o sucesso da Team Sky.
Peter Kennaugh venceu a primeira etapa da prova, após ataque a 2 km. do final, desafiando as aspirações dos sprinters de saírem vitoriosos.
A segunda etapa já não ocorreu da mesma forma e as equipas dos sprinters não permitiram que ninguém lhes levasse a vitória. Desta feita Bouhanni mostrou-se o atleta mais rápido e venceu a segunda etapa do Dauphiné à frente de Dumoulin, Modolo e Boasson Hagen. O jovem francês, que vinha de um início de temporada meio conturbado na sua nova equipa, a Cofidis, conseguiu voltar a obter grandes resultados, e venceu para além da segunda a quarta etapa do Dauphiné e a camisola de pontos à frente de Boasson Hagen. Estas foram as suas primeiras vitórias em provas do World Tour este ano.
Com um Contra-Relógio por Equipas, apesar de mais curto e com menos elevação que o do Tour, o Dauphiné acrescentou ao seu percurso mais um precioso teste para as equipas candidatas a vencer o Tour.
O CRE foi vencido
pelos actuais campeões mundiais, a BMC, os únicos a terminarem com uma média superior a 49km/h.. Dos principais favoritos à vitória do Tour, Nibali e Froome, a Astana terminou em segundo a 4'' apesar dos problemas no início com Vanotti e Gruzdev e a Sky, não conseguiu dar a volta por cima da mesma forma, e terminou 6ª posição com 35'' de atraso, com Froome a sacudir a cabeça após Poels, Stannard e Rowe se terem mostrado incapazes de prosseguir com o resto do comboio.
A quinta etapa chegada e com ela a primeira chegada em alto. Esta era uma etapa cópia a carvão da 17ª do Tour de France, com uma subida de 2ª categoria a culminar em Pra-Loup. Para o desfecho da etapa não seriam os últimos 6,2 km. com uma média 6,6% de inclinação a definirem o vencedor da etapa, mas sim a descida que os precediam e o conhecimento do jovem francês da região, Romain Bardet, que arriscou tudo o que podia depois do Col d'Allos e construiu uma vantagem sólida para terminar 36'' à frente do novo líder da prova, Van Garderen, e 40'' de Froome. Nibali, Rui Costa, Valverde e Gallopin acabariam por chegar quase 2' depois do vencedor.
Com a sexta etapa veio o grande triunfo nacional! Rui Costa acabaria por vencer 183 km. depois em Villard - de - Lans. O português fez parte do ataque do dia, um quarteto de luxo acompanhado por Nibali, Valverde e Gallopin, todos os que haviam perdido mais tempo no dia anterior. Desta vez seriam Froome e Van Garderen os que perderiam mais tempo, chegando mais de 2' depois de Rui Costa. Nibali que chegara 5'' depois de Rui Costa assumiria a amarela.
Foto: Tim de Waele
A amarela seria "sol de pouca dura" e Froome venceria a etapa rainha da prova, após um estrondoso trabalho dos seus colegas de equipa. Van Garderen acabaria por ser o único a conseguir responder ao ataque final de Froome, ainda assim chegaria 17'' depois do líder da Sky, mas recuperaria a amarela que havia perdido no dia anterior. Meintjes e Intxausti realizaram uma excelente etapa, com o primeiro a figurar na fuga do dia, e terminariam em 3º e 4º, respectivamente. Nibali não conseguiu manter o ritmo do dia anterior e acabaria por ficar para trás na penúltima montanha do dia, chegando quase 4' depois de Froome.
Froome voltaria a vencer na última etapa da prova, como uma repetição do dia anterior, com Poel a deixar Froome em excelentes condições para os últimos 2 km., apenas com Van Garderen a responder, para tentar minimizar os danos na sua vantagem de 18'' e vencer a amarela. Froome acabaria por cruzar a meta, exactamente, 18'' à frente de Van Garderen, que cortou a meta em 4º com o mesmo tempo de Simon Yates e Rui Costa. Com este resultado Rui Costa conseguiu superar Intxausti e fechar o pódio da Geral do Dauphiné!
Simon Yates, que realizou uma prova bastante consistente, com um segundo lugar, dois quintos e com a sua equipa a ser a quinta mais rápida no CRE, terminaria em 5º na Geral e venceria a classificação da juventude 32'' à frente de Bardet.
Nibali terminou a prova em 12º a 4'32'', após ter trabalhado bastante na última etapa para o seu colega de equipa, Scarponi, que não conseguiu corresponder com um bom resultado na etapa.
A MTN - Qhubeka conseguiu a sua primeira vitória da época numa prova do World Tour, com Teklehaimanot a vencer a classificação da montanha com 65 pontos, 39 à frente de Froome e 40 do seu colega de equipa Meintjes. O jovem sul-africano também realizou um belo Critérium com um 6º em Pra Loup e um 3º na etapa rainha.
A classificação por equipas foi ganha pela Movistar com 4 atletas no top-20, 2 deles no top-10.
Chris Froome terminou assim o seu último teste antes do Tour, apesar de ter declarado que ainda não se encontra 100% como desejaria para a prova rainha, a forma que mostrou, o resultado e o suporte da sua equipa colocam-no em excelente posição para lutar pelo lugar mais alto do pódio em Paris.
Foto: Watson
Nibali, actual campeão em título do Tour de France, também demonstrou estar em boas condições para defender o seu título, pelo menos comparativamente à sua prestação em 2014. Nibali já o ano passado tinha passado um pouco ao lado do Critérium, conseguindo como melhor resultado um 6º lugar numa etapa e o 7º da geral e acabaria por vencer o Tour com mais de 7' de vantagem de Peraud e 4 etapas na bagagem. Este ano, apesar de ter terminado no 12º posto da geral, conseguiu vestir por uma vez a amarela após um 2º lugar na 7ª etapa, e viu a sua equipa realizar um excelente CRE ao terminar no 2º posto dando boas indicações para 9ª etapa do Tour.
Tejay van Garderen mostrou também boas energias, apesar de ter deixado escapar a amarela por 10'' na última etapa, conseguiu ser bastante consistente ao longo da prova, para além do facto da sua equipa ser teoricamente a mais forte para o CRE. Na luta por um lugar no pódio com certeza estará o nome do atleta da BMC.
Simon Yates voltou a realizar um brilhante resultado esta época, depois de já ter feito 6º na Romandia e 5º no País Basco e será um dos jovens atletas mais interessantes de se observar no Tour.
Rui Costa, ou Mr. June como li no cyclingnews.com, fez jus à sua alcunha e conseguiu a primeira vitória da época, em Junho, no Dauphiné. Ele que é tri-campeão do Tour de Suisse, decidiu este ano trocar a Suíça pelos Alpes franceses, realizando assim uma diferente preparação para o Tour. Sobre ele recaem as esperanças Lusas de um bom resultado no Tour, no seu 2º ano enquanto líder na prova, após se ter visto forçado a abandonar em 2014.
Bauke Mollema foi outro atleta que decidiu trocar a Suíça pelo Dauphiné, após ter terminado em 2º em 2013 e 3º em 2014, Mollema foi uma grande desilusão não conseguindo melhor que o 60º posto da geral. Ele que desde que se mudou para a Trek o melhor resultado que conseguiu esta época foi o 2º posto da geral no Tirreno Adriático, demonstrou algumas debilidades na prova e preocupa a sua equipa e as suas aspirações no Tour.
Rodríguez e Valverde tiveram participações discretas porém bastante positivas no caminho que trilham para o seu grande objectivo que é a Vuelta. Poderemos esperar muita acção da armada espanhola nas etapas de montanha do Tour.
A maior esperança francesa presente na prova, Romain Bardet, realizou uma excelente campanha, vencendo uma etapa e só não conseguiu um melhor resultado na geral, pois perdeu algum tempo precioso na 6ª etapa após queda, felizmente sem grandes consequências físicas.
Resultados Lusos:
3º - Rui Costa (Lampre - Merida) a 1'16''
36º - Bruno Pires (Tinkoff - Saxo) a 49'01''
41º - Tiago Machado (Team Katusha) a 50'42''
51º - José Mendes (Bora - Argon 18) a 56'59''
93º - Nelson Oliveira (Lampre - Merida) a 91'14''
Links:
Classificações Completas
Melhores momentos da prova

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